Comunicação da Mesa da Assembleia Geral

De acordo com todas as orientações dadas pela Direção geral da saúde (DGS) em relação ao novo Coronavirus/COVID-19 e, de modo a assegurar o bem estar de todos, bem como considerando o Despacho de Sua Excelência, a Senhora Secretária de Estado da Ação Social, de 14 de Março de 2020, nos termos do qual o prazo para realização das assembleias gerais das IPSS é ditado até 30 de junho de 2020, dou sem efeito a convocatória para a realização da assembleia geral da ABRIGO – Associação Portuguesa de Apoio à Criança no dia 31 de Março de 2020, pelas 20.30 horas, a qual será reagendada e de novo convocada.

O Presidente da Mesa da Assembleia geral

Dr. João Castilho

Tensão nas famílias aumenta pedidos de ajuda

Linha de apoio recebeu 218 apelos de 1 a 23 de abril. Mais 66% do que em 2019

De 1 a 23 de abril deste ano, a linha SOS Criança, promovida pelo Instituto de Apoio à Criança (lAC), recebeu 218 apelos de crianças, adultos e instituições. Este número representa um aumento de 66% em relação ao total do mês de 2019, altura em que foram registados 131.

Quando as medidas de confinamento foram anunciadas, a linha passou a funcionar até às 21 horas e recentemente, além do número telefónico gratuito, está também acessível através da aplicação WhatsApp. Manuel Coutinho, secretário -geral do lAC e coordenador do SOS Criança, adiantou ao JN que dos 218 apelos, 161 chegaram por telefone, 48 por WhatsApp e nove por email.

“Sente-se que há um aumento da tensão intrafamiliar. As pessoas estão a ficar um bocadinho saturadas umas das outras”, explicou,
acrescentando que muitas vezes essa tensão também está associada a quadros de alcoolismo e de perturbação psiquiátrica. “Nem todas as
pessoas têm o espaço de que necessitam” devido ao confinamento.

A principal problemática prende-se com crianças em situação de risco, mas ainda não em perigo. É quando “o ambiente que está à volta da
criança já precisa de ter uma intervenção para que não se torne numa situação de perigo”, explicou.

“Temos depois casos de jovens que telefonam para falar ou desabafar com alguém, maus-tratos físicos e psicológicos na família, situações de negligência”, prosseguiu. A linha recebe ainda muitos pedidos de informações gerais, desde questões do namoro, saúde mental, e também dúvidas sobre a Covid-19″. Todos estes apelos “podem demorar cinco minutos ou uma hora”, prosseguiu o psicólogo clínico. Se muitas das questões são resolvidas pelos profissionais que operam a linha, há outros casos em que a gravidade obriga ao encaminhamento para os parceiros, como as comissões de proteção de crianças e jovens, Polícia, hospitais e bombeiros.

DA ANSIEDADE AO SUICÍDIO

Manuel Coutinho destaca que a linha, a funcionar desde 1988, é considerada “por todas as pessoas um serviço de primeira necessidade,
porque dá voz à criança diretamente”. E tem do outro lado do telefone um grupo de 11 psicólogos “na linha da frente” que ajudam a trabalhar a saúde mental dos mais novos.

“O dia a dia é um pulsar muito engraçado. O SOS não é só para crianças em risco, em perigo ou maltratadas. É um serviço que aposta na saúde mental.” Os profissionais trabalham a ansiedade, a angústia, as depressões, as dúvidas existenciais ou a ideação suicida nos mais novos. “As questões são muitíssimas”, disse.

Fonte: jornal de noticias

Lar devolve crianças
vítimas de maus-tratos

A informação chegou às Comissões de Proteção de Crianças e Jovens em risco na terceira semana de março, mas o documento tem data
anterior ao decretar do estado de emergência. Os Salesianos de Mirandela, uma instituição que acolhia cerca de quatro dezenas de crianças em risco, decidiu mandá-las para casa. Devolveu-as às famílias, às quais a Justiça as tinha retirado.

Nem sequer foi perguntado se podiam: a informação que deu entrada também nos tribunais de menores do distrito de Vila Real apenas dá conta de que as crianças foram para o seio familiar, de onde tinham saído para serem protegidas.

Esta não é uma situação isolada. O CM sabe que há outras instituições no distrito de Vila Real que decidiram devolver os HÁ OUTROS CASOS NO
DISTRITO COM ORDENS
DEREGRESSO A CASA menores institucionalizados. Sem qualquer ordem judicial e apenas alegando que estava em causa a saúde pública.

Em alguns lares foram escolhidos apenas os mais malcomportados, que tiveram ordem de regresso. Muitos deles a casa onde foram agredidos, violados ou ‘apenas’ negligenciados.

No caso dos Salesianos de Mirandela, o documento a que o CM teve acesso dá conta de que a medida foi preventiva, devido à pandemia da Covid-19. Garantem que deram ações de formação às famílias – a maioria delas são agressoras ou pelo menos negligentes, para que fosse determinado que os menores tivessem de ser institucionalizados – sendo que essas ações foram feitas “telefonicamente”.

Diz depois a instituição que entregaram a todas as famílias um panfleto sobre as medidas a adotar nesta fase de isolamento social, designadamente sobre os cuidados de higiene que devem ser tomados pelas famílias dos menores.

O mesmo documento diz também que só assim é que os Salesianos de Mirandela conseguem proteger as crianças e jovens acolhidos, bem como os colaboradores e a comunidade que reside nas instalações.

O documento é assinado pelo padre João de Brito Carvalho, o diretor da instituição, e tem data de 13 de março.

Fonte: Correio da Manhã