A informação chegou às Comissões de Proteção de Crianças e Jovens em risco na terceira semana de março, mas o documento tem data
anterior ao decretar do estado de emergência. Os Salesianos de Mirandela, uma instituição que acolhia cerca de quatro dezenas de crianças em risco, decidiu mandá-las para casa. Devolveu-as às famílias, às quais a Justiça as tinha retirado.
Nem sequer foi perguntado se podiam: a informação que deu entrada também nos tribunais de menores do distrito de Vila Real apenas dá conta de que as crianças foram para o seio familiar, de onde tinham saído para serem protegidas.
Esta não é uma situação isolada. O CM sabe que há outras instituições no distrito de Vila Real que decidiram devolver os HÁ OUTROS CASOS NO
DISTRITO COM ORDENS DEREGRESSO A CASA menores institucionalizados. Sem qualquer ordem judicial e apenas alegando que estava em causa a saúde pública.
Em alguns lares foram escolhidos apenas os mais malcomportados, que tiveram ordem de regresso. Muitos deles a casa onde foram agredidos, violados ou ‘apenas’ negligenciados.
No caso dos Salesianos de Mirandela, o documento a que o CM teve acesso dá conta de que a medida foi preventiva, devido à pandemia da Covid-19. Garantem que deram ações de formação às famílias – a maioria delas são agressoras ou pelo menos negligentes, para que fosse determinado que os menores tivessem de ser institucionalizados – sendo que essas ações foram feitas “telefonicamente”.
Diz depois a instituição que entregaram a todas as famílias um panfleto sobre as medidas a adotar nesta fase de isolamento social, designadamente sobre os cuidados de higiene que devem ser tomados pelas famílias dos menores.
O mesmo documento diz também que só assim é que os Salesianos de Mirandela conseguem proteger as crianças e jovens acolhidos, bem como os colaboradores e a comunidade que reside nas instalações.
O documento é assinado pelo padre João de Brito Carvalho, o diretor da instituição, e tem data de 13 de março.
Fonte: Correio da Manhã