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Mais violência – Estima-se que nos últimos 10 anos

Numa semana, duas crianças foram assassinadas. Uma delas pelo pai. A outra espancada até à morte pelo padrasto. A dimensão trágica do assunto dispensa qualquer comentário moral sobre a natureza desta violência gratuita sobre
aqueles que são mais vulneráveis. São actos tão bárbaros que são suficientes para definir os homens que os cometem.
Porém, quando casos tão brutais acontecem, os jornalistas vão atrás de outras respostas e aquelas que encontraram já não definem os homens que assassinaram, mas as instituições que tinham o dever de zelar pelo cuidado e protecção de menores. E ficámos a saber que as comissões responsáveis por este delicado assunto estão tão depauperadas de técnicos, graças às políticas de restrições orçamentais e de cortes a eito, que bem se pode dizer que as milhares de crianças em risco… estão sozinhas.

É claro que não é decente culpar as Comissões de Protecção de Menores, que só o espírito de sacrifício de quem nelas trabalha explica os milagres que vão fazendo, e que o apontar do dedo facilmente acusatória não as torne nos mártires que vão ser imolados na ara das desculpas e das culpas.

A verdade é que este desinvestimento no controlo de crianças e famílias em risco é político e na sua expressão mais grandiosa. Pela forma como se tratam os mais vulneráveis, podemos medir a dimensão política e humanista de qualquer Governo. Da capacidade de olhar problemas diferentes com olhares diferentes, capaz de criar um sistema de prioridades onde são exactamente os elementos mais frágeis da comunidade que merecem maior apoio e atenção. Talvez mortes como estas pudessem ter sido evitadas. Assim como das muitas jovens mães assassinadas, deixando centenas de órfãos. Estima-se que, nos últimos dez anos, cerca de 700 crianças ficaram órfãs devido à violência no seio da família. Muitos destes casos já assinalados pelas Comissões de Protecção de Menores em Risco, mas só isso. Sem condições técnicas nem materiais para poderem reagir, acautelar, proteger quem precisa. Quando chegamos aqui, já pouco falta andar para que a indignidade e a indiferença sejam património de um Estado. E um Estado assim, não presta.

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