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Bullying – Vídeo gera indignação

São 13 minutos de estaladas, murros e ate alguns pontapés de um grupo de jovens a um rapaz então com 16 anos. A situação passa-se na Figueira da Foz e tera acontecido em Junho de 2014, durante as ferias escolares de Verão, mas a explosão de indignação só aconteceu agora, depois de um video que registou o episódio ter si­do partilhado anteontem a noite no Facebook.

No video, aparecem duas adoles­centes a agredir um rapaz. Ha varias pausas, nomeadamente quando se ouvem carros a passar ou quando surje o aviso de que alguém se apro­xima. Nas imagens, surgem ainda pelo menos mais duas raparigas e dois rapazes. O rapaz que e agredido permanece quieto, encostado a uma parede, sem reagir e com as mãos atras das costas.

Um ano depois a vitima decidiu apresentar queixa. Fe-lo ontem, fi­nalmente convencido por algumas pessoas e colegas indignados com o vídeo, adiantou fonte da PSP. De manha, acompanhado pelos pais, deslocou-se a esquadra da Figueira da Foz. A PSP ja estava a investigar, por iniciativa de agentes que viram as imagens anteontem. Nas poucas horas que se seguiram a divulgação do video, a PSP identificou todos os suspeitos. Entre os intervenientes estão cinco raparigas e três rapazes entre os 15 e os 19 anos. Também a segurança policial nas escolas da Fi­gueira da Foz foi reforçada, como medida preventiva.

Em reacção ao sucedido, o Minis­tério Publico (MP) decidiu investigar ocaso em dois inquéritos diferentes. Relativamente aos menores de 16 anos, foi instaurado um “inquérito tutelar educativo no MP da Figueira da Foz”, confirmou a Procuradoria­Geral da Republica (PGR). Por outro lado, “foi também apresentada no DIAP de Coimbra uma participa<,:ao, relativamente aos maiores de 16 anos, pelas agressões e pela divulga<,:ao das imagens”, segundo a PGR.

Quanto aos agressores maiores de 16 anos estarão em causa crimes de sequestro e ofensa a integridade física, segundo fonte policial. O crime de sequestro e de natureza publica. Não depende, por isso, de queixa, como aconteceria se o crime fosse semi público. Nesse caso, o direito de apresentar queixa já teria caducado, uma vez que os factos ocorreram ha mais de seis meses. Também por se­rem vários os autores das agressões, poderá estar em causa o crime de ofensa a integridade física qualifica­da, que prêve uma moldura penal ate aos quatro anos de prisão.

Jovem apresentou queixa ontem e foi ouvido na esquadra da PSP da Figueira da Foz. 0 video que regista as agressões foi gravado ha um ano na zona do Bairro Novo

Os restantes jovens, menores de 16 anos, verão os seus processos correr no Tribunal de Familia e Menores de Coimbra. Na noite da divulgação do video, dois progenitores de duas das envolvidas decidiram ir a esquadra da PSP para dar conta do sucedido. Jorge Ferreira, pai de uma das agres­soras, em declarai;:6es a SIC pediu desculpa pelo comportamento da filha e disse que estava longe de ima­ginar o caso “inconcebível e impen­sável”. Contactado pelo PUBLICO, Jorge Ferreira escusou-se a prestar mais declara<,:6es, justificando que não quer “inflamar” mais o caso.

Até agora, a policia não encontra motivos para aquilo que os agentes consideram ter sido urn castigo or­ganizado pelos restantes jovens. Os adolescentes foram ouvidos na tarde de ontem na PSP da Figueira da Foz, onde foi também inquirido o jovem agredido. Saiu daquela esquadra pe­las 16h50 num carro acompanhado por dois policias.

O vídeo que regista a violência tera sido gravado jun to a Rua Dr. Calado, no Bairro Novo, Figueira da Foz. Ao PUBLICO o proprietário do Bar Maru­jo, localizado naquela rua ha 25 anos, disse conhecer os jovens envolvidos no caso, com quern, contudo, nunca teve problemas.

“Da-lhe mais”

As imagens não tern muitos diálogos, ouvindo-se apenas frases soltas como uma das agressoras a dizer ao jovem “isto é força, isto e força. Queres ver com mais força?” e uma outra a su­gerir “dá-lhe mais”, enquanto a pri­meira adianta que vai mudar de lado “porque ja esta a doer a mão”. De­pois chama uma colega para trocar de lugar e contam as estaladas, mas a contagem e quase sempre “um, um” e só quando há mais força se passa a
“dois” ou “um, dois, três”. Só mais a frente e apontada uma possível ra­zão para a agressão. “E que a mim não me apetece andar a chapada. Apetece-me andar a porrada, sabes porque? Porque tu meteste-me no­jo”, diz uma das agressoras. Neste momento, o jovem diz que não fez nada e ouve-se a voz de outro rapaz a dizer “metes-te com ela, metes-te comigo, basicamente”.

A publicação do vídeo gerou, ate ao fecho desta edição, mais de 70 mil partilhas no Facebook e mais de dois milhões de visualizai;:6es. Na maior parte dos casos, os comentários na rede social são de indignação, condenação da violência e apoio ao jo­vem, com pedidos para intervenção das autoridades. Algumas pessoas dizem que terão dado conhecimento da situação a PSP e a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CP­CJ) da Figueira da Foz. Fonte judicial confirmou, alias, que ja na noite de anteontem a PSP recebeu inumeras informações e mesmo queixas de cidadãos indignados.

Protecção de menores

A presidente da CPCJ da Figueira da Foz, Sandra Lopes, confirmou a Lusa que vai averiguar os acontecimentos. “A CPCJ não tinha conhecimento des­ta situação e só a conheceu depois de divulgado o video. Vamos averiguar o que aconteceu. Recebemos depois da divulgação do vídeo varias parti­cipações, mas faríamos uma averi­guação mesmo que isso não tivesse acontecido”, sublinhou.

Apesar de a agressão ter ocor­rido fora das escolas da cidade, o director da Escola Dr. Joaquim de Carvalho confirmou que o jovem agredido e aluno naquela institui­<;:ao, mas assegurou que os restantes não são. Disse-se ainda “chocado” e adiantou que a situai;:ao estaria rela­cionada com “questões de namoro”. O docente acrescentou que desde o Verão que o comportamento e rendimento escolar do aluno tern sido normais, pelo que ficou “sur­preendido” e “preocupado com os efeitos ainda mais nocivos que a exposição pode trazer”. O director garantiu também que “sempre foi e continuara a ser política da escola desenvolver programas de preven­ção destas situações, nomeadamente na disciplina de Educação para a Cidadania”.

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